domingo, 20 de abril de 2014

OS DEZ FATORES


 

 Os Dez Fatores encontrm-se expressos no capítulo Hoben (meios) do Sutra de Lótus e sua compreensão constitui um dos pontos fundamentais do Budismo de Nitiren Daishonin.Sua importância é tal, que, ao orarmos o Gongyo, todas as manhãs e todas as noites, repetimos três vezes os Dez Fatores.

Eles são:

Nho-ze-so – Aparência

Nho-ze-sho – Natureza

Nho-ze-tai – Entidade

Nho-ze-riki – Poder

Nho-ze-sa – Influência

Nho-ze-in – Causa Interna

Nho-ze-en – Relação

Nho-ze-ka –Efeito Latente

Nho-ze-ho – Efeito Manifesto

Nho-ze-hon –ma-ku-kyo-to – Consistência do início ao fim              

 

Mas, afinal, por que entender os 10 fatores?

 

Todos nós, a cada momento de nossas existências, manifestamos um dos dez Estados de Vida (Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranquilidade, Alegria, Erudição, Absorção, Bodhisattva e Buda). Os Dez Fatores, por sua vez, elucidam como cada um de nós manifesta cada um dos Dez Estados de Vida,  pois além das  características inerentes ao próprio indivíduo, como a aparência, a natureza, abarcam  a influência que cada indivíduo exerce sobre seu ambiente, e todas as consequências advindas desta  relação, como o efeito latente, o efeito manifesto e por fim, a compreensão de que todas estas etapas possuem consistência do início ao fim.

Mas vamos entender os dez fatores mais a fundo:

1)      Nho-ze-so (Aparência) – Tudo o que existe no universo, possui uma aparência, uma forma física.

2)     Nho-ze-sho  (Natureza) – “O essencial é invisível aos olhos.”, já diria Antoine de Saint-Exupéry em “O pequeno príncipe. Isso significa que cada ser vivo possui um substrato emocional, composto de virtudes e defeitos, as quais, muitas vezes, não podem não ser apurados apenas pela aparência.

3)      Nho-ze-tai (Entidade) – A entidade é o ser em si, composto de aparência e natureza.

4)      Nho-ze-riki (Poder) – O poder aqui deve ser entendido como a força propulsora, a energia que te move.

5)      Nho-ze-sa (Influência) – Diz respeito à influência que exercemos sobre o nosso ambiente.

6)      Nho-ze-in  (Causa Interna) – A maneira como direcionamos o nosso poder cria uma causa, uma causa interna, que nada mais é que o acúmulo dos nossos carmas plantados uma existência após outra.

7)      Nho-ze- en (Relação) – Como o próprio termo indica, constitui a relação entre essas causas internas ou essa energia acumulada em estado de latência e as causas externas.

8)      Nho-ze-ka (efeito latente) – A relação de nossas causas internas com o meio, cria um efeito latente, ou seja, uma energia silente, invisível aos outros, que fica aguardando o momento exato de se manifestar. É como uma semente de uma planta que ainda não germinou.

9)      Nho-ze-ho  (efeito manifesto) –São os fenômenos passíveis de serem observados, de seresm identificados. É a planta que germinou, é a árvore que cresceu e deu frutos.

10)   Nho-ze-hon-ma-ku-kyo-to  (consistência do início ao fim) – Podemos entender este termo da seguinte forma: Início – refere-se à causa. Fim – Refere-se ao efeito. Todo efeito possui uma causa e toda causa possui um efeito. Todos estes dez fatores possuem uma consistência, um liame, um nexo causal que não é quebrado.

 

Vamos compreender isso através de um exemplo: uma pessoa que está triste, possui uma aparência (nho-ze-so), obviamente! Um aspecto externo, que muitas vezes pode ser belo, exuberante, e que não manifesta o seu interior depressivo, ou seja, sua natureza (nho-ze-sho). As características de sua personalidade, inclusive a tristeza que carrega consigo, mais a sua aparência constituem uma entidade (nho-ze-tai). Esta entidade possui um poder (nho-ze-riki), uma energia propulsora que a condiciona a agir, ainda que esta energia esteja reduzida em razão do sofrimento.Este poder exerce uma influência (nho-ze-sa) sobre seu ambiente e sobre todos à sua volta, fazendo com que este ambiente vibre na mesma sintonia que aquela pessoa, no caso, numa sintonia baixa.

        Ok, a energia emanada por esta pessoa, que vive mergulhada em intenso sofrimento, pode, por si só ser  o efeito de inúmeras ações passadas, mas também consiste na causa de imensos sofrimentos futuros, e sua vida em si, se torna uma causa interna (nho-ze-in).Esta causa interna possui uma relação (nho-ze-en) com o ambiente criando causas externas que, a princípio, criam um efeito latente (nho-ze-ka) , ou seja, uma energia invisível, silente, que fica aguardando a formação de condições externas favoráveis para se tornar um efeito manifesto (nho-ze-ho), concretizando-se, no caso do exemplo dado, na geração de novas situações negativas que inspirem mais dor e mais sofrimento. Mas, observando-se todo este ciclo cármico, percebemos que ele possui uma consistência do início ao fim (nho- ze- hon-ma-ku-kyo-to), um elo, um nexo causal, eis que  possui uma causa (início) e um efeito (fim).

        Neste sentido, os Dez Fatores constituem um princípio que nos permite compreender o movimento da vida em si, ampliando a nossa consciência de que a vida não é separada de seu ambiente , princípio que no budismo conhecemos como esho funi (inseparabilidade da vida e do meio), e que o ambiente responde às nossas condições internas. Mas isto já é papo para um outro artigo...Até mais!

        



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O BUDISMO E O AMOR



O budismo não se separa dos assuntos seculares. Por isso, achei interessante abordar um assunto que diz respeito à nossa vida diária e que causa ou já causou muito sofrimento a muitas pessoas: os relacionamentos amorosos. É claro, vou abordá-los aqui, sob uma ótica budista, ou melhor, vou deixar que o próprio presidente da Soka Gakkai, Daisaku Ikeda fale sobre o tema. Nas linhas que se seguem, o presidente Ikeda responde algumas perguntas enviadas por leitores sobre o amor.
Boa leitura:
“* O que fazer quando o amor não é correspondido?
“Se o amor pudesse ser explicado racionalmente, todos os sofrimentos que ele causa desapareceriam do mundo. Porém, o importante é que, sem respeito, nenhum relacionamento durará muito tempo nem as duas pessoas serão capazes de extrair o melhor uma da outra. O poeta Dante Alighieri (1265-1321) teve como fonte de inspiração uma jovem chamada Beatriz, por quem cultivava um amor platônico desde criança. Certo dia, após muitos anos separados, ele, já com 18 anos, a reencontrou na rua. Posteriormente, ele compôs o poema A Vida Nova sobre sua alegria pelo reencontro daquele dia. Sem dúvida, Beatriz despertou o potencial artístico de Dante.
Porém, ela permaneceria como um amor não correspondido, pois casou-se com outro homem e morreu ainda muito jovem. O poeta jamais deixou de amar Beatriz. Foi esse amor que lhe possibilitou fortalecer e elevar a capacidade de seu sentimento a algo realmente nobre e sublime. Naturalmente, Dante viveu numa época diferente. Mas creio que muito se pode aprender desse grande poeta que foi fiel a seus sentimentos, correspondidos ou não, e os transformou na inspiração que conduziu sua vida.
*Qual é o tipo ideal de homem para um relacionamento saudável?
“Na sociedade, essa escolha é feita com parâmetro nas condições familiares, situação financeira, formação escolar, salário, entre outros. Embora façam parte das qualidades de um homem, não revelam totalmente sua personalidade e sua natureza como pessoa. Para escolher o futuro companheiro, devem observar sua filosofia de vida e seu caráter como ser humano. Do ponto de vista da prática da fé, verifiquem se essa pessoa tem (1) forte paixão pelo nobre ideal da paz mundial [Kossen-rufu]. Além disso, vejam se possui uma (2) boa saúde, (3) firme senso de economia, e (4) se sabe tomar decisões, definir e resolver bem as coisas.
O nosso objetivo de vida é a realização da paz e da melhoria do mundo. Um homem que não tem disposição nem decisão de viver em prol deste não está qualificado a compartilhar a vida com vocês. Sobre a saúde, não preciso acres­centar nada a respeito de sua importância. O senso de economia não tem a ver com o fato de o rapaz ter dinheiro ou não. A questão é se sabe controlar o dinheiro, caso contrário, ele não é confiável e fica evidente que as dificuldades financeiras surgirão. O último ponto refere-se a resolver as questões de forma concreta. Uma pessoa que sabe julgar e decidir o que deve fazer agora com certeza será uma pessoa brilhante. Por fim, um relacionamento que é recebido e felicitado por todos ao seu redor será seguro.”
* Qual é o ideal numa mulher para um relacionamento saudável?
“Em primeiro lugar, é importante (1) a mulher recitar muito Nam-myoho-rengue-kyo. Isso indica que está acumulando boa sorte. Na juventude, pode não haver muita diferença no resultado, mas, quando chegar aos 40 anos, a diferença será muito grande e evidente. A beleza interior cultivada com o Daimoku com o tempo adornará cada vez mais a vida da mulher na maturidade. O Gosho diz: ‘Se acender uma lanterna para uma pessoa, iluminará também seu próprio caminho’. Ou seja, quando lutamos pelo bem-estar e pela felicidade de uma pessoa, estamos iluminando também a nossa vida. Por isso, é essencial que se empenhem agora nas atividades da Soka Gakkai.
O segundo e terceiro pontos são iguais: (2) boa saúde, (3) firme senso de economia. O quarto ponto é (4) a disposição de ouvir a opinião dos outros. Uma mulher que não ouve e só defende seu ponto de vista não consegue criar harmonia com as pessoas. A mulher é a defensora da paz. Deve tanto ouvir os outros como externar sua opinião. Se não possuir esse caráter harmonioso, não conseguirá proteger o lar nem criar um movimento pelo bem da sociedade.”












* Como lidar com uma decepção amorosa?
“Sucumbir de forma doentia e cega em relação ao amor é ser derrotado na juventude. Juventude significa viver e avançar com força e coragem, sempre em frente. Não é desviar-se do caminho, muito menos se esconder nas sombras. Não sejam pessimistas nem sentimentais. Isso é só para os perdedores. Por favor, tenham a convicção e a coragem de pensar consigo, quando enfrentarem a rejeição: ‘Ele é quem está perdendo por não reconhecer o meu valor como pessoa!’ Esse é o tipo de atitude que vocês devem cultivar.
Não deixem que um coração partido os desencoraje. Digam a si próprios que não são fracos nem frágeis para deixar que algo tão pequeno os desanime. Vocês podem até pensar que não existe ninguém que se compare à pessoa amada. Mas como serão as cem, mil ou dez mil pessoas que ainda vão conhecer? Não dá para dizer que não existe alguém que supere a pessoa amada. Tenho certeza de que alguns de vocês tiveram coração partido ou muito ferido e talvez se sintam incapazes de prosseguir por estar com a autoestima em pedaços. Jamais pensem que são inúteis. Não há substitutos para vocês. Vocês são mais preciosos que todos os tesouros do universo juntos. Vocês são meus filhos e minhas filhas insubstituíveis. Com certeza vão conseguir superar os obstáculos, os sofrimentos e o desespero. Sejam fortes! Mantenham a cabeça erguida! Não se deixem dominar pela depressão nem tomem caminhos que os levem à autodestruição.”


sábado, 19 de abril de 2014

O GOHONZON: A MANDALA DA LEI MÍSTICA


O Gohonzon fo inscrito por Nitiren Daishonin em 12/10/1279, após a conhecida perseguição de Atsuhara, onde vinte camponeses que praticavam o budismo de Nitiren, foram coagidos a abandonar a sua fé, sendo três deles executados. Este acontecimento incitou Daishonin a inscrever sua própria vida em uma mandala, com caracteres chineses, onde expôs, ao centro, em posição vertical, a Lei Mística (Nam-myo-ho-rengue-kyo).

Além da Lei Mística, o Gohonzon é composto pelo nome de várias divindades budistas, budas e bodhsattvas, representando, desta forma, todo o universo. Diante dele, oramos todos os dias e todas as noites o Daimoku e o Gongyo. No início da prática budista, muitas pessoas oram olhando fixamente para uma parede lisa. O fato de não possuir o Gohonzon, não impede que a pessoa obtenha benefícios. Entretanto, ter o Gohonzon em casa é de extrema importância e já- já saberemos o por quê.

Sobre a relevância do Gohonzon, afirmou Nitiren Daishonin em uma carta endereçada a Myoshin-ama:

“Este Gohonzon é o coração do Sutra de Lótus e os olhos de todas as escrituras. É como o Sol e a Lua no céu, um poderoso governante na Terra, o coração de um ser humano, a jóia da concessão dos desejos entre os muitos tesouros e o pilar de uma casa.”

E continua:

“Quando se abraça este mandala, todos os budas e deuses juntam-se ao redor da pessoa, acompanham-na dia e noite, como os guerreiros guardam seu soberano, como os pais amam seus filhos, como os peixes precisam da água, como as árvores e plantas anseiam por chuva, ou como os pássaros dependem das árvores. Deve confiar nele com todo o seu coração.”

Para compreendermos a importância de ter o Gohonzon consagrado em casa, devemos, de antemão, entender um conceito budista chamado Kyoti myogo, que significa fusão do sujeito e do objeto por meio da Lei Mística. Em termos práticos, significa que, quando oramos ao Gohonzon, nós fundimos o nosso microcosmo com o macrocosmo que é o próprio Universo inscrito no Gohonzon. Seria como se fôssemos gotas d’água se fundindo em um imenso oceano.

A gota d’água contém em si, todas as propriedades do oceano, entretanto, se for jogada contra um muro, não produzirá nenhum efeito. Da mesma forma, nós contemos no interior de nossas vidas o Estado de Buda, entretanto, não podemos manifestá-lo porque nossa mente encontra-se embaçada pela escuridão fundamental e por nossas tendências cármicas.Orando com  sinceridade e fé o Daimoku e o Gongyo diante do Gonhonzon, fundimos nossa vida (a gota de água) ao Universo (o oceano).

Ieyassu Hase, na Revista Terceira Civilização, edição de Fevereiro/2007, afirmou: ”Sinteticamente, podemos dizer que realizamos a fusão do sujeito com o objeto quando estamos orando e nada tira a nossa concentração, quando manifestamos infinita alegria no coração e a sabedoria para não sermos influenciados por nada que tenta nos levar a baixos estados de vida.”

Vou dar um outro exemplo para elucidar melhor a importância de se ter o Gohonzon. Façamos o seguinte teste: pense em alguém que você gosta (amigo, parente, namorado (a), etc...). Pensou?Agora segure fixamente este pensamento durante 05 minutos, agora 10 minutos, agora meia hora, agora duas horas. Difícil né?A nossa mente, naturalmente se dispersa antes de completarmos os cinco minutos. Outros pensamentos dominam nossa mente: os problemas do dia-a-dia, as contas pra pagar e por aí vai.

Mas quando você está perto de alguém que gosta, dependendo da intensidade de seu sentimento, todo o seu corpo, mente e coração ficam voltados para aquela pessoa.

Da mesma forma, quando não possuímos o Gohonzon, fica mais difícil nos concentrarmos, e mantermos a determinação. Mas, quando oramos diante do Gohonzon, toda a nossa atenção, intenção, corpo, mente, sentimentos, ficam voltados para a nossa prática.

Outra questão importante de se salientar é o cuidado com a postura e com as roupas ao orar diante do Gohonzon, pois isso indica a seriedade com que cuidamos da nossa própria vida. Ao orarmos, estamos fazendo uma causa. Se oramos com qualquer postura e com qualquer roupa (biquini, pijama, cueca, etc...rs), isto indica a falta de seriedade e de comprometimento com que agimos em nossa própria vida e os efeitos colhidos serão correspondentes.

Por fim, em um Gosho intitulado “Resposta a dama Nitinyo”, Daishonin afirma:

“Nunca procure o Gohonzon em outros lugares.Ele somente pode habitar no coração das pessoas comuns como nós que abraçam o Sutra de Lótus e recitam oNam-myoho-rengue-kyo.”

Logo, com a convicção de que o Gohonzon é nossa própria vida, vamos orar com fé e convicção de que ao recitarmos o Daimoku e o Gongyo diante do supremos objeto de devoção, estamos alimentando a natureza de nossa própria vida e transformando o nosso carma de maneira profunda e essencial.

 


OUTROS SITES QUE FALAM SOBRE O BUDISMO DE NITIREN DAISHONIN

Vou deixar aqui o link de outros sites que falam sobre o Budismo de Nitiren Daishonin, vale a pena conferir:

http://mudesuavidapraticandoobudismo.blogspot.com.br/

http://www.budanaweb.com/

http://estadodebuda.blogspot.com.br/

http://www.maisbelashistoriasbudistas.com/dezest.htm

http://www.bsgi.org.br/

http://mensagens-iluminadas.blogspot.com.br/2009/06/como-transformar-um-carma-determinado.html




O GONGYO E SEU SIGNIFICADO


A palavra Gongyo significa “prática assídua” , e consiste na recitação do 2º  capítulo intitulado “Hoben”(Meios) e 16º capítulo, denominado Juryo (Revelação da Vida Eterna do Buda), do Sutra de Lótus. Para quem ainda não é praticante, estes capítulos estão inscritos em um livreto intitulado Liturgia do Budismo de Nitiren Daishonin (quem já foi a alguma reunião budista ou teve contato com um praticante já deve ter visto). Antes, porém me estender mais sobre o Gongyo e seu significado, convém falarmos um pouco a respeito do Sutra de Lótus.

                           Bom, após a morte do Buda Sakyamuni (Siddarta Gauttama), ocorrida por volta do ano 500 a.C., seus ensinos foram registrados em cânones denominados sutras, sendo que o  Sutra de Lótus foi considerado por Nitiren Daishonin como sendo o mais importante deles . Por que? Porque o Sutra de Lótus contém a essência dos ensinamentos pregados pelo Buda Sakyamuni, que é a compreensão de que todos nós possuímos o Estado de Buda (ainda que nem todos consigamos manfestá-lo com frequência).

                           O Sutra de Lótus contém 28 capítulos, entretanto, o 2º capítulo , denominado Hoben (Meios), e o 16º intitulado Juryo (Revelação da Vida Eterna do Buda), formam o sustentáculo de todo o Sutra e são recitados, juntamente com o Daimoku (Nam-myoho-rengue-kyo), toda manhã e toda noite.Mas, por que estes capítulos tornaram-se tão importantes?

No 2º capítulo (Hoben), Sakyamuni expõe a essência de seu ensino, ou seja, ele declara que a razão do surgimento de todos os budas consiste em capacitar as pessoas a atingir a iluminação.

Ok, mas você deve estar se perguntando: em que consiste esta tal “iluminação”? Significaria alguém que solta raios pelos olhos?Ou que levita? Certamente não. Rsrs A iluminação consiste na capacidade de enxergar a vida com os olhos de um Buda, ou seja, com os olhos de alguém que despertou, que se iluminou e isso consiste em perceber os fenômenos acima da capacidade que manifestamos nos outros estados de vida (Inferno, Fome, Animalidade, Ira, Tranquilidade, Alegria, Erudição, Absorção, Bodhisattva). Em termos práticos, significa manifestarer um grau de consciência que lhe permite compreender o que se esconde por trás de cada fenômeno, o que está na origem das situações que enfrentamos. E se você for mais a fundo, vai perceber que a origem de todos os fenômenos é a própria Lei Mística (Nam-myoho-rengue-kyo) e se buscar a essência do que realmente você é, perceberá que você é um Buda, ainda que esteja inconsciente de sua própria natureza.

No 16º Capítulo, denominado Juryo (A revelação da Vida Eterna do Buda), Sakyamuni expõe a eternidade da sua própria vida, informando que, a despeito de acreditarem que ele atingiu a iluminação naquela existência, como Siddarta Gauttama, embaixo da árvore bodhi, ele atingiu a iluminação em um tempo incalculavelmente longo e que sempre esteve neste mundo, pregando a Lei, renascendo como diferentes budas.

Em resumo: a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo, constitui a prática principal do budismo de Nitiren Daishonin e o Gongyo, a prática complementar. Por isso, o daimoku deve ser recitado juntamente com o Gongyo todas as manhãs e todas as noites.

No livro “Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo”, de Daisaku Ikeda (falarei mais sobre o presidente da Soka Gakkai) está escrito:

“A recitação do Gongyo e do Daimoku é uma cerimônia na qual louvamos o Buda Original e a grande Lei do Nam-myoho-rengue-kyo. Pode-se dizer que o Gongyo é um poema ou uma canção que louva ao máximo o Nam-myoho-rengue-kyo, a Lei  fundamental do Universo, e o Buda. Ao mesmo tempo, quando realizamos o Gongyo também louvamos a vida eterna do Universo e o estado de Buda de nossa própria vida.”

Logo, o Gongyo, juntamente com o daimoku, constituem  uma fonte que alimenta a energia de nossa própria vida, produzindo efeitos como vitalidade, concentração, paz interior e toda espécie de estados mentais positivos. Ou seja, tudo o que necessitamos para viver em meio a uma realidade que muda constantemente. Hoje em dia, muitas pesquisas apontam para a importância da meditação e os benefícios que produz em nossa vida. A prática constante do Daimoku e do Gongyo, harmonizam e fortalecem nossa disposição interna, tornando nossa DETERMINA + AÇÃO  mais forte que as influências do ambiente.

Vale lembrar que  a nossa realidade é um reflexo direto da energia que emitimos. Logo, se possuímos uma energia vital baixa, ainda que estejamos bem, a priori, logo seremos influenciados pela negatividade do ambiente e, como resposta, produziremos ainda mais situações negativas.

Aí  reside a importância de se esculpir um “Eu” forte (através da prática contínua do daimoku e do gongyo) capaz de vencer as influências nefastas do ambiente e conduzir o nosso destino para o melhor possível.

Dito isto, agora vamos a um outro ponto importante:  o Gongyo  é escrito em sânscrito (língua indiana antiga), e o fato de ser recitado em outro idioma pode despertar em muitas pessoas a desconfiança com relação aos seus benefícios. Entretanto, segundo nos informa Nitiren Daishonin:

“Um bebê não sabe a diferença entre a água e o fogo, e não pode distinguir o veneno do remédio. No entanto, ao sugar o leite,  sua vida é nutrida e sustentada. Da mesma forma, mesmo que uma pessoa não seja versada nos sutras, se ouvir mesmo um caractere ou frase do Sutra de Lótus, nõa deixará de atingir o Estado de Buda.” (Gosho Zenshu)

No livro “Preleção dos Capítulos Hoben e Juryo”, consta:

“(...) quando estamos realizando o Gongyo ou recitando o Daimoku, estamos nos expressando na linguagem do mundo dos budas e dos bodhisattvas. Mesmo qeu os senhores não compreendam o que estão dizendo, suas vozes com certeza atingem o Gohonzon, todos os deuses budists e todos os budas e bodhisattvas das três existências e das dez direções; e, em resposta, todo o Universo envolve os sernhores com a luz da boa sorte.”

Logo, os benefícios oriundos da recitação constante do daimoku e gongyo (todas as manhãs e noites), se manifestarão natural e infalivelmente, ainda que seu significado não seja compreendido racionalmente.Mas isso não impede que se estude o significado do Sutra, pois deve-se lembrar que um dos tripés da prática do budismo é o Estudo.

De acordo com o Buda Sakyamuni: “A vida não é um mistério a ser desvendado, é uma experiência a ser vivida.” Sendo assim, os benefícios advindos da prática do daimoku e do Gongyo não podem ficar apenas limitados a palavras, precisam ser experimentados e comprovados na prática.

A recitação do Gongyo é uma das cerimônias mais bonitas do budismo Nitiren e  quando ouvimos sua tradução, percebemos quão encantadora é a benevolência e a sabedoria do Buda Sakyamuni. É emocionante saber que são aquelas palavras que recitamos todas as manhãs e noites.

Vou deixar aqui alguns links que contém a recitação do Gongyo e mais abaixo o link de um Blog que contém a tradução do Gongyo:

http://www.youtube.com/watch?v=OZ6x6F3uoL4 – GONGYO MAIS LENTO

http://www.youtube.com/watch?v=O-Cg8xh62Ps – GONGYO RITMO NORMAL (GERALMENTE O RITMO EM QUE É RECITADO NAS REUNIÕES)

http://www.macjams.com/song/66099 - TRADUÇÃO DO GONGYO


FRASES E INCENTIVOS



"O Budismo Nitiren é um ensinamento que possibilita às pessoas lutar em meio às adversidades e se tornar feliz. Quanto mais miserável e infeliz for uma pessoa, mais surpreendente será o poder e o potencial que ela pode produzir para superar sua infelicidade. Essa pessoa será capaz de encorajar verdadeiramente e apoiar os que sofrem."

"O grande segredo da prática da fé, (...), é sentir a alegria da Lei Mística, aquela que surge de dentro, sem depender de nada externo e independentemente das circunstâncias."

"A prática budista eleva sua vida num nível fundamental,  fazendo surgir a sabedoria, força e coragem para que você assuma as rédeas e conduza sua vida com alegria. Assim, independentemente se as circunstâncias são boas ou ruins, a felicidade é absoluta."

"Se um homem fala ou age com o pensamento puro, a felicidade o acompanha como uma sombra que jamais o deixa." Buda Sakyamuni

"A vida não é uma pergunta a ser respondida, É um mistério a ser vivido." Buda Sakyamuni

"Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com nossos pensamentos. Como nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo." Buda Sakyamuni

"Os resultados do amanhã serão visíveis nas causas que fazemos hoje. Vamos semear as sementes uma a uma, e vencer no presente pelo bem do futuro." Daisaku Ikeda

"O Nam-myoho-rengue-kyo é a fonte propulsora de toda atividade universal, o som do grandioso ritmo do Universo e também seu coração e sua essência." Daisaku Ikeda

"Fortaleça sua fé dia após dia, mês após mês. Se enfraquecer mesmo um pouco, os demônios aproveitar-se-ão." Nitiren Daishonin

"Se crer neste Gohonzon e professar o Nam-myoho-rengue -kyo, não haverá oração sem resposta nem pecado imperdoável. Toda fortuna será concedida e toda justiça será provada, Nitikan Shonin
 


ORANDO DAIMOKU (NAM-MYO-HO-RENGUE-KYO)

Seguem uns links com a recitação do Nam-myoho-regue-Kyo para orar junto: