terça-feira, 28 de julho de 2020

GOSHO: "Resposta a Kyo'o" (um bálsamo para este momento de pandemia)



"Justamente quando estava esperando ouvir suas notícias novamente, chegou o mensageiro que o senhor se preocupou em me enviar. Recebi também a dádiva em dinheiro que em minhas presentes circunstâncias é muito mais valiosa do que qualquer tesouro a ser encontrado na terra ou no mar.

Desde que ouvi do senhor a respeito de Kyo’o Gozen, tenho estado orando por ela aos deuses do sol e lua em todos os momentos do dia e da noite. O Gohonzon que enviei há algum tempo deve ser conservado sem tirar do corpo mesmo por um instante sequer. Este Gohonzon nunca foi concedido, muito menos inscrito, por alguém nos Primeiros ou Médios Dias da Lei. Diz-se que o leão, rei dos animais, avança três passos, e então recua um para saltar, desprendendo a mesma força quando apanha uma diminuta formiga ou ataca ferozes animais. Ao inscrever este Gohonzon para a sua proteção, Nitiren é igual ao rei leão. É isto o que o sutra quer dizer por “a força de um leão no ataque”. Creia neste Gohonzon com todo o seu coração. O Nam-myoho-rengue-kyo é como um rugido de um leão. Que doença pode portanto ser um obstáculo?

Está escrito no sutra que os que abraçam o Daimoku do Sutra de Lótus serão protegidos pela Kishimojin e suas dez filhas. Eles desfrutarão da felicidade como Aizen e da boa sorte como Bishamon. Onde quer que sua filha possa brincar, nenhum mal poderá acontecer, será livre do medo tal como o rei leão. Isto significa que entre as dez filhas de Kishimojin, a proteção de Kodainyo é a mais profunda. Mas tudo depende de sua fé. Uma espada será inútil nas mãos de um covarde. A poderosa espada do Sutra de Lótus deve ser manejada por alguém corajosa na fé. Então será tão forte quanto um demônio armado com um cajado de ferro. Eu, Nitiren, inscrevi minha vida em “sumi”, assim, creia no Gohonzon com todo o seu coração. O coração do Buda é o Sutra de Lótus, mas a vida de Nitiren não é nenhuma outra senão o Nam-myoho-rengue-kyo. Miao-lo afirma em suas interpretações: “A revelação da iluminação original do Buda é o coração do sutra.”

Os infortúnios de Kyo’o Gozen serão mudados em boa sorte. Reuna  a sua fé e ore a este Gohonzon. Então, o que é que não pode ser alcançado? Deve crer que acontecerá tal como o Sutra de Lótus diz: “Os desejos das pessoas se realizam como a água fria e límpida de um tanque sacia a sede das pessoas”. E diz ainda: “Eles terão paz e segurança nesta existência e nascerão em boas circunstâncias na próxima.” Quando for perdoado do exílio nesta província, apressar-me-ei a Kamakura onde nos encontraremos. Se uma pessoa considera  a força do Sutra de Lótus, encontrará juventude perpétua e vida eterna diante de seus olhos. Minha única preocupação é que ela possa morrer jovem; portanto, estou orando com todas as minhas forças aos deuses para protegê-la. Eduque-a para ser como a Dama Jotoku ou a filha do Rei Dragão. Nam-myoho-rengue-kyo, Nam-myoho-rengue-kyo."
Respeitosamente,
Nitiren
Em 15 de agosto de 1273




Kyo ou Kyo"o Goze era filha de um dos principais discípulos de Nitiren Daishonin, Shijo Kingo. Como Kyo ainda era um bebê de aproximadamente um ano à época em que este Gosho foi escrito, presume-se que a carta foi endereçado de Nitiren Daishonin aos pais de Kyo, Shijo Kingo e sua esposa Nitiguennyo. A pequena Kyo'o padecia de alguma doença, possivelmente grave, pois nem Shijo Kingo que era médico, além de saumrai, conseguia curá-la.
A carta foi datada de 15 de Agosto de 1273, enquanto Nitiren estava exilado na Ilha de Sado.

Neste Gosho Nitiren declara: "Creia neste Gohonzon com todo o seu coração. O Nam-myoho-rengue-kyo é como um rugido de um leão. Que doença pode portanto ser um obstáculo?"

Creio que esta tenha sido a mensagem mais importante desta carta. Principalmente
em momentos como este em que estamos vivendo, com a pandemia do Covid-19. Pois além da doença em si, ainda assistimos ao crescimento de doenças e transtornos psicológicos como a depressão, a ansiedade, o pânico, as fobias, por conta do isolamento social necessário.

Durante nossa vida podemos nos deparar com o sofrimento da doença, muitas vezes sendo ela fruto de más ações da existência presente ou passada (lembrando que o
karma é formado por pensamentos, palavras e ações). No caso da Covid-19, compartilhamos mutuamente o karma de estarmos vivendo nesta pandemia, o que poderá ser sentido por cada um em maior ou menor grau.

Mas neste Gosho, em especial, Nitiren nos indica que o Daimoku ou seja, a recitação
contínua e diária do Nam-myoho-rengue-kyo é como o rugido de um leão que dissolve o mal karma da doença, abrindo novos caminhos para a esperança e felicidade.

Sei que há doenças que são incuráveis pela medicina atual. Mas é possível amenizar seus efeitos nocivos através da prática budista assentada nos três pilares (fé, prática e estudo).

Outra forma de amenizar os efeitos karmicos negativos manifestados através da doença é a prática do chakubuku, que consiste em ensinar o Daimoku para outras pessoas.Ou seja, levar felicidade para outras pessoas.

Lembrando que em hipótese alguma o budismo descarta a necessidade de procurar um médico caso esteja padecendo de alguma doença. Muito pelo contrário, o budismo de Nitiren Daishonin é firmado nos pilares da oração e ação.

Então faça daimoku para que tenha a boa sorte de encontrar um bom médico, que
seja certeiro em seu diagnóstico e lhe prescreva um tratamento eficaz! Pois até para encontrar um bom tratamento, necessitamos de boa sorte.

Se ainda não pratica o budismo de Nitiren Daishonin, experimente realizar o daimoku. Abaixo vou estar deixando o link de um vídeo do Youtube com a recitação do Nam-myoho-rengue-kyo, para que possa iniciar sua prática do Daimoku.

Obrigada por ter lido até aqui e boa sorte!

Vídeo com a recitação do Daimoku:














sexta-feira, 4 de setembro de 2015

E a danada da comparação...









“Todo mundo é um gênio. Mas se você julgar um peixe pela sua habilidade de subir em árvores, ele viverá o resto de sua vida acreditando que é um idiota.” -Albert Einstein

Acredito que esta frase seja perfeita para ilustrar o tema deste post de hoje, que é a comparação.
Vivemos em um mundo cujo sistema econômico é o capitalismo. O capitalismo necessita do consumo para gerar lucro.

 Então, para gerar o consumo, o capitalismo estimula a comparação, pois a comparação com o outro leva ao desejo de ter o que ele tem e de consumir o suficiente para ter tanto ou mais que ele (vide os comerciais de televisão).

Bom, onde eu quero chegar com tudo isso?? Um dos maiores obstáculos à prática budista é a comparação. Isso porque medimos os resultados de nossa prática sempre em comparação com outras pessoas que acreditamos ter mais do que a gente. E pior, não só os resultados de nossa prática, mas também da prática dos outros!

E com isso, vamos caindo em um redemoinho de dúvidas, pois, como já dizia Daisaku Ikeda (presidente da Soka Gakkai) quem se compara aos outros termina em um beco sem saída.

 Sem saída porque mesmo aquelas pessoas com quem nos comparamos negativamente, também vão achar que existe alguém em melhor situação ou mais feliz do que eles.

Da mesma forma, quando conseguirmos alcançar aquilo que tanto desejamos, também acreditaremos que ainda não é o suficiente, pois a mentalidade baseada na comparação continua a mesma. E sempre haverá alguém que acreditamos estar em melhor condição ou mais feliz do que nós.

Somos pessoas diferentes, com habilidades e graus de consciência distintos e por tal razão seguimos trajetórias distintas. Além disso, temos missões de vida diferentes, que serão exercidas em diferentes “palcos da vida”.

Então, se você se considera inferior ou menos favorecido em relação aqueles com quem se compara é porque a sua missão deverá ser exercida exatamente onde está, enquanto a missão do outro deverá ser exercida onde ele se encontra.

Lembre-se: o estado de buda existe em você na forma como se encontra atualmente.

Além do mais, se medimos apenas os resultados da prática budista apenas e somente pelo grau de bens que somos capazes de acumular, é sinal de que ainda não compreendemos o real sentido de praticar o budismo. Pois para além de conquistar benefícios, a razão primordial de nossa prática é a realização de nossa revolução humana.


Beijos a todos e até o próximo post!